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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

A Noite de São Bartolomeu - J. W Rochester | Moz Tsakane

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Sinopse

Não obstante as festividades do casamento do Príncipe de Navarra com a irmã de Carlos IX, o grande palácio guarda consigo uma sala escura e triste. É o grande recinto em que a Rainha-Mãe congrega os amigos diletos...
Catarina de Médicis está indecisa... Paris está repleta de protestantes para as núpcias reais. A repressão contra Coligny deve expressar-se agora ou nunca...
Temendo as hesitações do filho, a soberana oculta-lhe a reunião levada a efeito, em surdina. A Corte deve decidir-se. Um espetáculo disciplinar em Paris é o único lance capaz de erguer a França à altura da Espanha, na defesa papal.
As vitórias do Duque de Alba, a influência de Felipe II, dão motivo às cochichadas conversações. Se os Países Baixos fossem definitivamente submetidos, o prestígio espanhol ofuscaria o mundo francês. E a atuação do Almirante herege, transformado em conselheiro único e sumamente respeitado pelo Rei, fornece alimento às mais estranhas sugestões do delito coletivo que jaz apenas esboçado...
(...) E a reunião passou, até que o Rei, frágil e doente, foi convocado pela energia materna ao anoitecer de dois dias depois.
(...) Carlos treme irresoluto. O coração real está dividido entre o amor da progenitora e as atenções do favorito. O soberano enfermiço reage e chora... (...) (...) Se a Revolução Francesa, em 1789, não pôde evitar excessos e exageros, dada a sua estruturação de massa, com fatores heterogêneos e psicologicamente múltiplos, a existência de continuadas injustiças sobre a coletividade, alimentando a revolta incontrolável, por outro lado, objetivou levantar a bandeira da "Liberdade, Igualdade, Fraternidade".
Evidentemente, a caudal política desembocou na aristocracia napoleônica; todavia, os frutos da Revolução ficaram substancializando a vida, e melhorando, paulatinamente, em toda parte, o comportamento das Nações, tendendo-as, mais ou menos tempo, ao Direito.
A Noite de São Bartolomeu, não; foi movimento baixo, estúpido, cego, fanático, imediatista, em que, em nome de Deus e à sombra d'Ele, se cometeram as mais inomináveis barbaridades, desencadeando causas que se prolongaram em séculos de provações para Espíritos que, na calada da noite, jogaram com o destino de milhares de protestantes huguenotes, aprisionando-os, primeiramente, numa cilada, usando como isca de atração o casamento de Henrique de Na varra (protestante) com Margarida de Valois 1 Trecho do livro "O Espinho da Insatisfação" de Newton Boechat, págs. 33-47. Ed. FEB BOANOm LIVRARIA ESPÍRITA (católica, filha de Catarina de Médicis, a Rainha-Mãe, que determinava energicamente sobre seu filho, o frágil Carlos IX).
A Corte Francesa não se conformava com a hegemonia espanhola, que se plasmava cada vez mais, evidenciando-se no Vaticano, e promovendo-se por toda a Europa. De há muito, discreta coletividade de nobres e conselheiros de Catarina, e ela mesma, elaboravam plano sinistro para eliminar do solo francês o que chamavam "a peste".
Avolumou-se a corrente evangélica não somente em Paris, mas na França toda, alentada pela figura austera e firme do Almirante Gaspar de Coligny, que era conselheiro e amigo de Carlos IX.
...UM POUCO DE HISTÓRIA
CATARINA DE MÉDICIS -1519 a 1589
A História acusa Catarina de toda espécie de complôs. A gente a vê velha, com seu rosto duro, apoiada na cadeira real de Carlos IX lhe dando conselhos de traição e de ódio...
Mas há uma outra parte dela: alguns a acham uma mulher corajosa, cujo principal defeito foi ter sido mal educada; transportada à França ela se devotou à saúde do Estado e defendeu por todos meios a seu alcance o trono a seus filhos. Tentemos compreendê-la.
Ela nasceu em 13 de abril de 1519 em Florença, no Palácio da Via Larga, construído por Cosme, o Velho. Seu pai era Lourenço de Médicis, Duque d'Urbino; sua mãe Madalena de La Tour d'Auvergne. Desde o início há algo apontando seu destino. Seus pais logo morrem. Após uma pequena viagem a Roma, onde dois de seus tios - Leão X e Clemente VII - são papas quase sucessivamente, ela volta a Florença onde está havendo uma insurreição popular. Ela encontra asilo no convento das religiosas beneditinas das Murates; dali ela pode ouvir o clamor do povo que saqueia as igrejas e quebra estátuas.
Em 1529 enquanto uma armada de espanhóis e de mercenários alemães a soldo do papa sitia a cidade, ela é tratada como uma garantia. E arrancada de seu convento apesar do choro das religiosas que desejam protegê-la e Catarina é aprisionada em um convento bem menor; um exaltado propõe arrastá-la sobre as muralhas para assim expô-la aos choques inimigos. A cidade cede.
Em 1539 Catarina é levada a Roma, confiada a Maria Salviati, viúva de João de Médicis, o antigo chefe dos Bandos Negros, e à Duquesa de Camerino, damas respeitáveis para época. É uma menina de 11 ou 12 anos e Bronzino no-la descreve: cabelos pretos, a fronte arqueada, os olhos redondos à flor da pele, herança dos Médicis; sobrancelhas fortemente arqueadas, o nariz um pouco grosso... O conjunto está longe de ser bonito, mas ela tem graça e distinção. De caráter é amável, insinuante e sabe se fazer apreciar: no Murates as freiras a amam ternamente; em Roma ela agrada ao pessoal do papa e os embaixadores estrangeiros a acham muito gentil.
A Itália que ela vai logo deixar a marca bem. "O Príncipe" de Maquiavel foi dedicado a seu pai; o livro trata de política e de governo — ensina aos príncipes italianos os meios de conservarem e firmarem seu poder no interesse da Itália. Foi escrito em 1513.
É possível que ela o tenha lido mais de uma vez. Em Florença sua inteligência precoce deve se abrir bem às intrigas e compreender bem as coisas; em Roma ela está bem no centro da diplomacia a mais tortuosa e a mais sutil, como sempre.
Ela tem por professor seu tio, o papa Clemente VII. Então ela aprende a dissimular, se concentrar em si mesma. Mas a civilização romana papal e a arte da Renascença lhe inspiram uma preocupação de vida refinada e de um sentido de Beleza que ela nunca perderá. É assim que ela mantém um ar de dignidade, uma correção de conduta que será conservada durante toda sua carreira de esposa e mesmo de viúva. Muitos anos mais tarde, quando a injuriam com escritos nos muros do Louvre, Catarina pode dizer: "Graças a Deus é a coisa do mundo da qual eu sou a mais limpa e o agradeço a Deus".
Na questão de seu casamento, se ela fosse livre se teria casado com seu primo Hipólito de Médicis, filho natural de Juliano de Médicis. Mas o papa tinha outras intenções para ela - seria melhor um casamento político. Houve muitos pretendentes (apenas como curiosidade, o Rei da Escócia, futuro pai de Maria Stuart também estava nessa lista) e finalmente a escolha recaiu sobre o delfim da França, o futuro Henrique II que na ocasião usava o título de Henrique d'Orleans, segundo filho de Francisco I.
Em 23 de outubro de 1533 Catarina chegou a Marselha — ela tinha 14 anos... O Rei da França e seu noivo a esperavam. Apresentações solenes e, alguns dias mais tarde, foi celebrado o casamento. Segundo os muitos relatos da época há descrição da cerimônia, do cortejo de cardeais, dos pajens, das damas de honra, da magnificência das roupas...
Logicamente a mocinha era o centro de todos os olhares; ela vestia uma roupa de brocado e um corpinho de veludo violeta guarnecido de arminho. Seus cabelos estavam tão carregados de pedrarias que disse dela um contemporâneo: "ela vale um reino!"... Pode haver exagero, mas as pedras de seu enxoval eram belíssimas.
Quando as festas terminaram, o dote foi contado no tesouro geral da França e houve quem fizesse trejeito de quem não gostou.
Da Itália brilhante e refinada para a França, país de soldadesca dura, a diferença era grande. Esses tempos nos deixaram grandes belezas, mas isso era exceção; a maioria da população era impenetrada. A vida dos senhores assim como a vida dos burgueses era rude; também rudes eram seus modos de falar e suas maneiras. As penalidades eram terríveis: o ladrão era enforcado, o herético era queimado e o moedeiro falso era mergulhado em líquido fervente.
O espetáculo do suplício era muito procurado pela corte e a boa sociedade. Não havia respeito pela personalidade humana. Um tal Tavannes escreveu suas "Memórias"
dizendo que, se murmurando "padres-nossos" se enforcava, matava-se a tiros, se esquartejava, se queimava a cidade — "ponha-se fogo por todo o redor, um quarto de légua..."
Mas havia um lugar onde havia boas maneiras e boa linguagem — era a corte. Lá se agrupavam os funcionários do Estado e os "convidados da casa": oficiais, gentil homens, damas de honra, abades de todas as convicções, sem contar a massa de parasitas, literatos, inventores, pedinchões, etc., etc., todo um mundo de gente vivendo da generosidade do Rei. Cada soberano constituía "seus convidados" segundo seu gosto ao luxo ou à sociabilidade. Uma alegria franca e de bom quilate; alegria de gente cumulada de bens levando uma existência perfeita, sem receios do amanhã e cuja festança nada tinha de monótona, pois a corte peregrinava de castelo em castelo, acampava às vezes sob tendas, sempre enfeitada, e até mesmo luxuosa. Sem dúvida havia pessoas que se ocupavam de coisas sérias, mas a maioria, não. As conversações começavam desde as últimas horas da manhã até tarde da noite. À tarde um príncipe cantava canções napolitanas as quais as damas adoravam... A galanteria era a ocupação constante.
Alguém desse tempo comentou: "o mau é que na França as mulheres se metem em tudo; o Rei lhes devia fechar a boca; é daí que saem os mexericos, as calúnias". E Tavannes, citado acima:
"Nesta corte, portanto, as mulheres fazem tudo, mesmo os generais e os capitães".
A chegada de Catarina, menina de 14 anos passou quase despercebida. Mesmo quando da morte do filho mais velho da casa real, ela se tornando "A Senhora Delfina" —
seu papel foi dos mais apagados. Duas mulheres, as amantes do velho Rei e do futuro Rei influenciavam muito os mandatários: a Duquesa d'Étampes e Diana de Poitiers.
Esta Diana teve dos contemporâneos uma admiração sem limites; fizeram dela o tipo de beleza perfeita. Seus retratos nos dão uma outra impressão. É uma mulher vigorosa, de carnação rica, de traços mediocremente regulares, com um ar de beleza saudável. Viúva do Sr. de Saint-Vallier, casada em 1515, levava todos os dias flores ao túmulo do falecido Luís de Brézé. Mas tanto se empenhou em conquistar Henrique, que o conseguiu, apesar de ser 18 anos mais velha que ele. Em 1536 o laço entre eles estava bem estabelecido.
Para Catarina a luta era impossível. Ela pedia apenas ao esposo um pouco de amizade e se esforçava em criar simpatias entre as pessoas que cercavam o Rei. Ela conseguiu com Margarida d'Angoulême (irmã de Francisco I), Duquesa d'Étampes, e muitos outros personagens de posição. Mas com relação a Diana ela teve de recalcar seus sentimentos.
Se Catarina teve uma ferida secreta, nunca demonstrou, entretanto manteve com essa dama relações muito corteses; Diana tinha por ela "uma proteção um pouco altaneira"...
Úteis precauções! Catarina andava entre os partidos, desarmava inimizades e assegurava os devotamentos. Ligou-se ao Rei, cercou-o de lisonjas, montou a cavalo para lhe dar prazer e seguiu intrepidamente as caças até o final rude e sem piedade ao animal.
Com estes pequenos engenhos ela ganhou as boas graças dele e, de futuro, teve ocasião de apreciar o quanto isto lhe foi útil.
Durante 10 anos não teve filhos. Questão seríssima! O esposo a podia repudiar. Ela foi ao Francisco I, emocionada, chorando, lhe pedindo proteção. Ele, um homem que tão bem soube governar a França, lhe respondeu: "Minha filha, se Deus quis você como minha nora, eu não quero que isto seja doutra forma; talvez Deus queira se render aos seus e aos nossos desejos..."
As crianças foram numerosas — 7 chegaram a adultos. Logicamente sua posição foi fortificada. Os anos se passaram e ela se tornou Rainha. Uma manhã do desastre da Revolução de São Quentim ela foi encarregada da regência provisória do reino e revelou recursos políticos e uma energia que não se supunha ela tivesse. Mesmo com isso ela continuou permitindo o mando da Poitiers.
Seu 1° filho — Francisco, mais tarde se casa com a futura Rainha da Escócia; seu Carlos foi o Rei cujos feitos, alguns, aparecem nesta história; Henrique foi Rei da Polônia e depois, como Henrique III foi Rei da França por 15 anos. Elizabeth se casou com o Rei da Espanha. Seu "bandinho", como eram chamados, cresceu sob suas atenções maternais. Ela acha que suas crianças pertencem à França.
Ela tem afeto pelo marido e às vezes, em suas cartas, deixa perceber uma mágoa.
Talvez sinta que sua posição é falsa e humilhante. Ela escreve à Duquesa de Guise: "se a senhora vir o Rei, apresente-lhe minhas muito humildes recomendações; gostaria de ser Margarida para poder vê-lo... Penso que a senhora tenha ainda muito tempo para estar com seu marido; praza Deus eu pudesse estar com o meu!"

Mas, coisa estranha! Junto a este marido, meninão musculoso, egoísta e limitado, incapaz de uma decisão, destinado a ser dominado, ela tem uma inexplicável timidez, procura ficar em seu favor, psicologicamente múltiplos, a existência de continuadas injustiças sobre a coletividade, alimentando a revolta incontrolável, por outro lado, objetivou levantar a bandeira da "Liberdade, Igualdade, Fraternidade".
Evidentemente, a caudal política desembocou na aristocracia napoleônica; todavia, os frutos da Revolução ficaram substancializando a vida, e melhorando, paulatinamente, em toda parte, o comportamento das Nações, tendendo-as, mais ou menos tempo, ao Direito.
A Noite de São Bartolomeu, não; foi movimento baixo, estúpido, cego, fanático, imediatista, em que, em nome de Deus e à sombra d'Ele, se cometeram as mais inomináveis barbaridades, desencadeando causas que se prolongaram em séculos de provações para Espíritos que, na calada da noite, jogaram com o destino de milhares de protestantes huguenotes, aprisionando-os, primeiramente, numa cilada, usando como isca de atração o casamento de Henrique de Na varra (protestante) com Margarida de Valois 1 Trecho do livro "O Espinho da Insatisfação" de Newton Boechat, págs. 33-47. Ed. FEB BOANOm LIVRARIA ESPÍRITA (católica, filha de Catarina de Médicis, a Rainha-Mãe, que determinava energicamente sobre seu filho, o frágil Carlos IX).
A Corte Francesa não se conformava com a hegemonia espanhola, que se plasmava cada vez mais, evidenciando-se no Vaticano, e promovendo-se por toda a Europa. De há muito, discreta coletividade de nobres e conselheiros de Catarina, e ela mesma, elaboravam plano sinistro para eliminar do solo francês o que chamavam "a peste". Avolumou-se a corrente evangélica não somente em Paris, mas na França toda, alentada pela figura austera e firme do Almirante Gaspar de Coligny, que era conselheiro e amigo de Carlos IX.
 

Autor: 
 - J. W Rochester
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